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	<title>Clube do Choro de Santos &#187; entrevistas</title>
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	<description>música, cultura e arte</description>
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		<title>Novo Diretor do Clube do Choro Ganha Concurso</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Dec 2012 18:17:04 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; &#160; &#160; Há exemplos que fortalecem a crença de que a música tem uma força que interfere em todo o mundo a nossa volta e que esta força pode ter um caráter físico, visível e audível e até mesmo, místico. Sobre a ação da música em benefício da memória existem estudos de que a [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-2454" title="Placido" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2012/12/Placido.png" alt="" width="221" height="147" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Há exemplos que fortalecem a crença de que a música tem uma força que interfere em todo o mundo a nossa volta e que esta força pode ter um caráter físico, visível e audível e até mesmo, místico.<span id="more-2453"></span><br />
Sobre a ação da música em benefício da memória existem estudos de que a música pode favorecer a memória, evocando lembranças do passado.Quando se ativa a memória através da música transmite-se o pensamento de que a senescência é um período propício à recordação. Assim, o idoso reconstrói experiências do presente e passado. Esta memória advém de um trabalho em que o prazer da música suscita o inconsciente a trazer material ao consciente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É nesse contexto que apresentamos o simpático compositor <strong><em>Plácido Felix Pereira Junior</em></strong>, nascido em Lins/SP e radicado em Santos/SP, vencedor do concurso que escolheu o Hino em Homenagem ao Idoso de Santos (1), que nos concedeu esta rápida entrevista para o blog do Clube do Choro de Santos. Acompanhem a entrevista e vejam ao final a letra e cifra da música.</p>
<p><strong>Luiz Pires – Você é Linense de nascença e santista de coração ? Quando você veio para Santos e onde você estudou música?</strong></p>
<p><strong> Plácido – </strong>Já faz dez anos que estou em Santos e realmente me sinto muito bem aqui. Minha formação musical teve início no violão clássico no Conservatório em Lins. Depois passei para guitarra e estudei Jazz em Campinas. Quando mudei para Santos iniciei meus estudos no Violão de Sete Cordas na Escola Simonian e atualmente tenho aulas com o grande mestre Luizinho 7 Cordas em São Paulo.</p>
<p><strong>Luiz Pires – Como você se envolveu com o Choro ?</strong></p>
<p><strong> Plácido</strong> – Na verdade, eu sempre apreciei o choro porque tem uma sonoridade única e completa com poucos instrumentos. No entanto, nunca tive oportunidade de tocar porque o pessoal da minha geração preferia ouvir outros estilos de música. Já aqui em Santos existe uma “legião” de chorões que me acolheram, sendo muito pacientes com os novatos &#8211; então estou aproveitando esta oportunidade para aprender e também me expressar.</p>
<p><strong>Luiz Pires &#8211; Conte-nos sobre a música que você compôs para o concurso que escolheu o Hino em Homenagem ao Idoso de Santos. O que lhe inspirou, qual foi a idéia, como você desenvolveu o tema ?</strong></p>
<p><strong>Plácido &#8211; </strong>A música foi feita especialmente para o concurso promovido pela Secretaria de Cultura. Quando fiz uma pesquisa preliminar sobre o tema, constatei que as poesias e textos a respeito dos idosos sempre tinham um caráter que ressaltava as incapacidades do idoso e não suas habilidades - era o idoso pedindo desculpa porque não podia mais acompanhar os filhos e netos, o idoso com problemas de memória, doente, etc&#8230; &#8211; achei que o caminho não era esse. Então resolvi me inspirar nessas figuras que conhecemos e que são exemplos de vida para todos nós. A partir daí eu desenvolvi o tema.</p>
<p><strong>Luiz Pires &#8211; Que mais você pensou ?</strong></p>
<p><strong>Plácido &#8211; </strong>Pensei também em outras limitações &#8211; se os idosos irão cantar a música, não pode ter frases e nem palavras longas &#8211; deve, ainda,  ter muitos pontos para os cantores respirarem. Também a tessitura deve ser limitada para a melodia ser cantada sem esforço. Bom, o resultado foi essa música, que tive um prazer imenso em compor e agora está imortalizada por ter sido escolhida nesse concurso.</p>
<p><strong> Luiz Pires &#8211; Você acompanha o que tem sido feito na MPB em geral. Tanto para idosos, quanto para outras faixas etárias &#8230; tem algo que chama a tua atenção ?</strong></p>
<p><strong> Plácido – </strong>Eu realmente sou bastante eclético – não tenho nenhum tipo de preconceito com relação a nenhum intérprete ou estilo. Alguns trabalhos me agradam e outros nem tanto. O que me chama a atenção são crianças interessadas em aprender a tocar música visando a linha instrumental, inclusive o choro. Portanto, parece que esse tipo de música está ganhando espaço.</p>
<p><strong> Luiz Pires &#8211; Você vem do interior do Estado. Como está o movimento do Choro no interior ?</strong></p>
<p><strong> Plácido – </strong>Na minha terra é difícil encontrar chorões, a maioria dos meus colegas músicos se deslocou para os grandes centros em busca de melhores oportunidades. Mas recentemente estive no festival “Chorando Sem Parar” em São Carlos e conheci muitos chorões do interior fazendo um trabalho sólido e com a dedicação que o choro exige.</p>
<p><strong>Luiz Pires &#8211; Você implantou o uso do Tablet (2) na roda de choro, organizando suas partituras &#8230; de onde você tirou esta idéia ?</strong> <strong>É verdade que você irá cuidar da diretoria de informática do Clube do Choro de Santos ?</strong></p>
<p><strong>Plácido –</strong> Como chorão novato que sou, ainda não consigo tocar sem as partituras. E o universo do choro é muito grande, tenho umas 200 partituras e sempre aparece alguém querendo tocar alguma música que eu ainda não tenho. Então, para ficar mais prático, digitalizei as partituras e não preciso ficar carregando aquelas pastas&#8230; Outra vantagem do <em>Tablet </em>é que ele tem iluminação própria, facilitando o trabalho de palco. A respeito da minha participação na Diretoria de Informática do Clube de Choro de Santos, realmente eu fui convidado e aceitei, apesar de não ter muita prática. Aí está mais uma prova de que os chorões são muito pacientes com os novatos&#8230;.</p>
<p><strong> Luiz Pires &#8211; Podemos concluir que a música tem enorme potencial no resgate e na manutenção da qualidade de vida do idoso?</strong></p>
<p><strong> Plácido</strong> – A maioria dos idosos que eu conheço gosta de música. Estão aí os corais e bailes da terceira idade pra confirmar isso. Todo mundo dançando e cantando  alegre – assim vale a pena viver bastante&#8230;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Valeu Plácido, muito obrigado pela entrevista e muito sucesso pra você &#8230;  Um grande abraço do pessoal do Clube do Choro de Santos.</strong></p>
<p>(1) A iniciativa, que visa homenagear a população idosa – a qual representa 19,1% dos moradores da cidade de Santos é uma parceria das secretarias municipais de Saúde (SMS) e de Cultura (Secult).</p>
<p>(2) Dispositivo pessoal em formato de prancheta que pode ser usado para acesso à internet, organização pessoal, visualização de fotos, vídeos, leitura de livros, jornais e revistas e para entretenimento com jogos</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Diário Oficial de SANTOS</h2>
<p>1º de dezembro de 2012<strong></strong></p>
<p>O Secretário de Cultura de Santos, usando das atribuições que lhe são conferidas por Lei, de acordo</p>
<p>com disposto no Art. 1º, Parágrafo único do Regulamento do Concurso do Destinado à Escolha do Hino</p>
<p>em Homenagem ao Idoso de Santos constante do Decreto n.º 6.178 de 24 de julho de 2012, faz publicar</p>
<p>a classificação final, como segue:</p>
<p><strong>Participantes Pontos</strong></p>
<p>1º Plácido Felix Pereira Junior 25,5</p>
<p>2º Carolina Hervelha Ramos e Ema Ferreira Basile 19,5</p>
<p>3º Carlos Alberto Rodrigues 16,5</p>
<p>4º Maria da Glória Negreiros dos Anjos Velloso 15,0</p>
<p>5º Luiz Ricardo Mello e Airton Carlos Nogueira 12,5</p>
<p>27 de novembro de 2012</p>
<h3>CARLOS PINTO</h3>
<p><strong>Secretário de Cultura</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em><span style="text-decoration: underline;">HINO DO IDOSO</span></em></strong><strong></strong></p>
<p><strong>Letra e música: Placido Jr.   </strong></p>
<p><strong>Tom: D (ré maior)                                            </strong></p>
<p><strong>   </strong><strong>D                               D(maj7)</strong></p>
<p><strong>Memórias de uma vida</strong></p>
<p><strong>   F#m                 Fm Em</strong></p>
<p><strong>O passado de gerações</strong></p>
<p><strong>             E7                   A7</strong></p>
<p><strong>A esperança no futuro</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>            Fo   G#o            D</strong></p>
<p><strong>É presente nos corações</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>D7                                    G</strong></p>
<p><strong>Vida que merece respeito</strong></p>
<p><strong>             </strong><strong>Gm                     D/F#</strong></p>
<p><strong>Um exemplo para todos nós</strong></p>
<p><strong>             Bm             Bm/A         Em</strong></p>
<p><strong>No espelho o semblante perfeito</strong></p>
<p><strong>             Gm9   A7            D</strong></p>
<p><strong>Enaltecido a uma só voz</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>            D7                                G</strong></p>
<p><strong>Cada linha estampada no rosto</strong></p>
<p><strong>             E7/G#                                A</strong></p>
<p><strong>É lembrança do teu caminho</strong></p>
<p><strong>             F#7/A#                       Bm</strong></p>
<p><strong>Todo dia acordar bem disposto</strong></p>
<p><strong>             E7                               Gm   A</strong></p>
<p><strong>Renovando a amizade e carinho</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><strong>       D                                     Am</strong></p>
<p><strong>De tua experiência do passado</strong></p>
<p><strong>            D7(9)                               G</strong></p>
<p><strong>Jamais deixar de ser um aprendiz</strong></p>
<p><strong>             Fo                   D   B7</strong></p>
<p><strong>Ser idoso é viver renovado</strong></p>
<p><strong>            Em      A7    Bb     Gm   D</strong></p>
<p><strong>Ser idoso é viver feliz </strong><strong>!</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O LEGADO DE CYRO PEREIRA</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Jun 2011 16:18:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Pois é gente, lamentavelmente perdemos o simpático e muito querido maestro Cyro Pereira que faleceu nesta quinta-feira passada, dia 09 de junho, em São Paulo&#8230;! Destacado regente, compositor e arranjador, fez historia na época áurea da TV Record nos anos 60. Era professor da Universidade Livre de Música Tom Jobim (ULM), atual Santa Marcelina. &#160; &#160; Na [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em> </em></p>
<h2><em><br />
</em></h2>
<p><em><strong> </strong></em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Pois é gente, lamentavelmente perdemos o simpático e muito querido maestro Cyro Pereira que faleceu nesta quinta-feira passada, dia 09 de junho, em São Paulo&#8230;! Destacado regente, compositor e arranjador, fez historia na época áurea da TV Record nos anos 60. Era professor da Universidade Livre de Música Tom Jobim (ULM), atual Santa Marcelina.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/06/P1230273.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-995" title="P1230273" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/06/P1230273-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><br />
</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong><span id="more-994"></span>Na foto, o registro da visita dos diretores Luiz Pires, Marcello Laranja e Valdo (da esquerda para a direita) a  ULM em 2007, quando foram recebidos muito amavelmente pelo maestro. Visitávamos a ULM para findar as tratativas para a vinda da Orquestra Jovem Tom Jobim em comemoração ao 5º aniversário de fundação do Clube do Choro de Santos, que resultou numa memorável apresentação no Teatro Municipal Braz Cubas, em abril daquele ano.</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Cyro Pereira junto com seu amigo e parceiro, o também maestro e compositor Mário Albanese, criou o ritmo conhecido como &#8220;JEQUIBAU&#8221;&#8230;! </strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/06/CYROPEREIRAMARIOALBANESE.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-996" title="CYROPEREIRAMARIOALBANESE" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/06/CYROPEREIRAMARIOALBANESE-300x205.jpg" alt="" width="300" height="205" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Abaixo texto explicativo de Mario Albanese sobre a Lei Estadual nº 13.095/08, que instituiu o dia 13 de agosto, no mês do Folclores, como o Dia do Jequibau e o último adeus deste ao parceiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/06/JEQUIBAU-CAPA-ALBUM.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-997" title="JEQUIBAU CAPA ALBUM" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/06/JEQUIBAU-CAPA-ALBUM-221x300.jpg" alt="" width="221" height="300" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<h1>Celebrar o <span style="text-decoration: underline;">Dia do Jequibau</span> aos <span style="text-decoration: underline;">13 de Agosto</span> e  no <span style="text-decoration: underline;">Mês do Folclore</span>, é alargar o horizonte musical com o surgimento, em 1965, de um ritmo que, por sua natureza original, <span style="text-decoration: underline;">deu identidade  própria ao compasso de 5 tempos,</span> Uma fórmula com um balanço tão redondo que não se percebe que é cinco! Sua importância foi consignada em livros e métodos de ensino, além de reverenciada por nomes ilustres do cenário mundial da música. Jequibau é uma ousadia premiada que, mesmo depois de 44 anos do seu lançamento oficial, continua instigante e desafiando o status quo. A palavra Jequibau ainda é um neologismo não vocabularizado. <span style="text-decoration: underline;">Jequibau é jequibau, diferente marcação, cinco tempos por inteiro, contrariando a tradição. Um compasso brasileiro, nova forma de expressão. Jequibau é jequibau, a palavra é singular, não existe em dicionário, não adiante procurar e, depois de tantos fatos, é hora de registrar!</span> Do livreto de cordel de autoria de Teo Macedo. Realmente, o ensino tradicional conceituava o compasso de 5 tempos como misto, resultante da <span style="text-decoration: underline;">soma de dois compassos</span>, um de três tempos com outro de 2  e vice-versa. O termo misto é inoportuno porque  significa a fusão de  dois elementos diferentes que, uma vez ligados, não se separam&#8230;  <span style="text-decoration: underline;">Portanto é, no mínimo, estranho chamar a soma de  2 compassos como se fosse 1!</span></h1>
<p>&nbsp;</p>
<p>O  cordão umbilical do jequibau é o folclore, ponto de convergência das pesquisas de Mário Albanese e Cyro Pereira. De fato, os fatores <strong><span style="text-decoration: underline;">intuição e liberdade</span></strong> são tão impositivos que o <strong><span style="text-decoration: underline;">enquadramento de qualquer tipo</span></strong>, anestesia a alma e aprisiona a criatividade. <span style="text-decoration: underline;">A sabedoria popular, propaga-se por via oral</span>. A música  escrita é uma certidão de nascimento que, por mais elaborada e minuciosa que seja,  registra o fato mas não  expressa a emoção.  Cabe ao intérprete reler a partitura dando-lhe vida e condições de repassar o sentimento  da música para o ouvinte. A estrutura da palavra jequibau revela <strong>coalescência</strong>, a junção de duas palavras:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">Jequi</span></strong>, do tupi iekei, cesto indígena de pesca, e, <strong><span style="text-decoration: underline;">bau</span></strong>, sufixo de berimbau, instrumento africano, usado por metonímia, como símbolo sonoro de referência, de acordo com a análise estrutural realizada pelo lexicólogo Prof. Dr. Ermínio Rodrigues. O termo jequibau é um neologismo que não foi ainda  vocabularizado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>CYRO MARIN PEREIRA (14.8.1930 &#8211; 9.6.2011)</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Músico é aquele que consegue transformar em som tudo que acontece ao seu redor. A música nasce por um impulso inato, sendo óbvio que necessita de conhecimento técnico para ter molde artístico. O ensino musical no Brasil sempre foi entendido como um complemento da educação e, portanto, um privilégio dos mais abastado. Já, como fato social, sempre teve marcante importância, pois inexistem períodos sem música e, as expressivas manifestações musicais no Carnaval, nos chorões e serenatas assim o comprovam. Ainda é de amplo conhecimento que a maioria dos grandes nomes da música popular do passado foi autodidata, instruiu-se por si, no convívio com outros músicos, ouvindo discos e também pela comunicação oral. Houve época em que o músico era tratado como um pária, um indivíduo sem casta na sociedade, por ser boêmio e sem profissão definida. Cyro Marin Pereira, nascido na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, veio para São Paulo em 1950 com 20 anos e foi um dos que aprimorou seu conhecimento musical no dia-a-dia, trabalhando como pianista, arranjador e regente de orquestra na Rádio Record de São Paulo na Rua Quintino Bocaiúva onde me foi apresentado pelo inesquecível Garoto, Aníbal Augusto Sardinha. Àquela época e no campo da música popular, geralmente as músicas não eram escritas sendo apresentadas pelo autor tocando, cantando ou numa gravação em minicassete caseiro. Assim e nessas condições a importância do arranjador se evidenciava na estrutura final da composição ao agregar introdução, harmonia e ritmo, fatores decisivos para sua aceitção. Em um artigo sobre o Cyro, publicado no Jornal Hora de São Paulo, em 1982, destaquei a importância do arranjador e a necessidade de reconhecer como legítimo o direito conexo a que faz jus. Nesse sentido e com essa ótica o Ciro produzira um programa intitulado o Maestro Veste a Música, para explicar com detalhes a instrumentação utilizada e os efeitos produzidos. Lembro-me de Insônia, de minha autoria, com letra de Heitor Carillo, foi dissecada pelo Ciro nesse programa sem imaginar que no futuro seríamos parceiros. Dessa proximidade resultou a gravação de SOL, minha composição inserida no LP Música dos Astros, PPL 12014, da Continental, com Cyro e Orquestra. O fato curioso foi o expediente utilizado pela gravadora de lançar esse mesmo disco mudando o título para Românticos Del Caribe, como contraponto ao sucesso obtido pelos Românticos de Cuba. Sem dúvida, o convívio diário com o Cyro nos anos sessenta foi produtivo. Eu o reencontrei na Rádio e TV Record instaladas na Av. Miruna, pelo do Aeroporto de Congonhas num momento especial, pois os Maestros Gabriel Migliori, Hervé Cordovil e Ciro Pereira, estavam com folga no trabalho em razão das radicais mudanças realizadas na grade de programação da emissora. Assim tivemos horas produtivas para conciliar as pesquisas que resultaram no Jequibau, uma inovação autêntica que conseguiu, tal qual rastilho de pólvora, enorme repercussão nos EUA, consubstanciada nas gravações de renomados artistas e na inserção em métodos de ensino. Vencedor de concursos internacionais sua expansão mereceu registros em matérias publicadas por revistas e jornais especializados do mundo. No livro, Cyro Pereira, Maestro, escrito por Irineu Franco Perpétuo, por feliz coincidência, a história do Jequibau se inicia na página 5/4 e vai até o número 58. As pessoas queridas não morrem porque ficam encantadas na nossa lembrança para sempre. O pensamento cria, o desejo atrai e a fé no trabalho realiza. Seu irmão de alma eterno parceiro.</strong></em></p>
<p><em><strong> </strong></em></p>
<p><em><strong> Mário” Jequibau” Albanese.</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Os ecos do bandolim de Joel Nascimento fazem choro 3D</title>
		<link>http://clubedochoro.org.br/blog/2011/05/25/os-ecos-do-bandolim-de-joel-nascimento-fazem-choro-3d/</link>
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		<pubDate>Wed, 25 May 2011 14:06:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto: Eugênio Martins Júnior Fotografia: Luiz Fernando Costa Ortiz O bandolinista Joel Nascimento é falante e conhece de música como quem viveu dentro dos estúdios nos últimos 35 anos. Sua discografia reúne mais de 20 trabalhos, incluindo as participações em discos de outros artistas. História invejável. Tem risada fácil, mas não gosta de ser chamado [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<h3><span style="font-size: 13px; font-weight: normal;"><strong><em>Texto: Eugênio Martins Júnior</em></strong></span></h3>
<p><strong><em>Fotografia: Luiz Fernando Costa Ortiz</em></strong></p>
<p>O bandolinista Joel Nascimento é falante e conhece de música como quem viveu dentro dos estúdios nos últimos 35 anos. Sua discografia reúne mais de 20 trabalhos, incluindo as participações em discos de outros artistas. História invejável.</p>
<p><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200413.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-964" title="P1200413" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200413-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Tem risada fácil, mas não gosta de ser chamado de chorão. É músico, apesar de que sua trajetória muito tem a ver com o choro. Guarda, aliás, algumas semelhanças com Ernesto Nazareth, um dos maiores nomes relacionados ao gênero criado no começo do século passado e que ele visita em <em>Gotas de Ouro</em>, em seu mais recente trabalho, o CD De Bandolim a Bandolim, parceria com Hamilton de Holanda. Em comum com Nazareth, a intimidade com o piano, a surdez e a característica peculiar da obra de ambos, localizada na fronteira do popular com o erudito.<span id="more-956"></span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200265.jpg"><img class="size-medium wp-image-963 aligncenter" title="P1200265" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200265-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><em>Brejeiro</em>, por exemplo, se executada ao piano é digna de qualquer sala de concerto. O mesmo pode-se dizer da <em>Suíte Retratos</em>, dissecada por Joel nas linhas abaixo.</p>
<p>Outra semelhança com Nazareth foi a sina de funcionário público. Os caminhos que os levaram a isso foram diferentes: o primeiro tinha filhos para sustentar. O segundo desgostou-se após ficar surdo por conta de uma doença degenerativa. Ambos tiveram o bom senso de retornar a música para nunca mais sair.</p>
<p><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200972.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-962" title="P1200972" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200972-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Nazareth, mesmo tendo o reconhecimento que merecia sofreu de problemas psicológicos até morrer afogado nas águas rasas de um córrego. Aí as semelhanças acabam. Joel está bem vivo e não foge de polêmicas. Solta o verbo, mas não perde o bom humor. Tem sempre uma história pra contar e antes de você falar que não dá mais tempo ele já está contando.</p>
<p>Joel veio a Santos em comemoração ao Dia Nacional e Municipal do Choro, 30/04. Tocou às 11 da manhã na praça Mauá e a noite no Teatro Municipal. Uma realização do Clube do Choro e da Secretaria Municipal de Cultura.</p>
<p><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200886.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-961" title="P1200886" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200886-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>O dia anterior foi regado a muita cerveja. Começamos a entrevista ao meio dia e acabamos as três da tarde. O que deu pra publicar está aí, sem cortes.</p>
<p><strong>Eugênio Martins Júnior – Houve um período que você diz que abandonou a música, mas a gente sabe que não se abandona a música simplesmente. Como foi isso?</strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>Joel Nascimento</strong><strong> – </strong>Posso contar a história toda? Bom, comecei a estudar piano com 10 anos, despertei para a música através do filme de Chopin, A Noite Sonhamos, fiquei maravilhado com as Poloneses. Com 22 perdi um dos ouvidos em um processo irreversível e hereditário. Não dava para ser um concertista como eu queria, não ia conseguir. Abandonei muito triste, não dava. Você toca no grave aqui e o agudo mistura e você não ouve. Aí fui fazer um curso de técnica radiológica, prestei concurso e fiquei trabalhando com isso. Nessa época não tocava bandolim. Não sei como pegava no violão e tocava, pegava no cavaquinho e tocava. Não abandonei a música, abandonei os estudos da música. Depois dez anos meu irmão apareceu lá em casa com um advogado que tocava violão, já morreu. E ele: “Toca bandolim”. E eu chateado. Depois de muita insistência fui lá e peguei o cavaquinho com as cordas enferrujadas, passei uma palha de aço e toquei uma música com ele, que ficou maravilhado. Me convidou a participar das rodas de choro que ele tinha na Tijuca. O nome dele era Oraci. Passei a frequentar em 68. Essa roda contava com o Dino (7 cordas), César Faria, Déo Rian.</p>
<p><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200549.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-960" title="P1200549" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200549-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><br />
<strong>EM – Só tinha cara bobo.</strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN </strong><strong>–</strong> Pois é, e eu freqüentando essas rodas de choro tocando cavaquinho. Isso era em 1969, um pouco antes de Jacob (do bandolim) morrer. Tinha um bandolim muito bom que ele mandou fazer sob encomenda e me deu de presente. A partir daí comecei a tocar bandolim nas rodas de choro. Só me profissionalizei em 1974.<br />
<strong>EM – Como foi o desenvolvimento desse aprendizado?</strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN </strong><strong>–</strong> Sinceramente, só fui estudar bandolim depois que disseram que eu tocava. O João Nogueira me descobriu, gostou de mim e eu gravei duas faixas com ele no disco E Lá Vou Eu. O produtor Adelzon Alves escreveu na capa do disco que estava lançando um bandolinista e tal. Fiquei conhecido como bandolinista e a turma me chamando pra gravar, só na EMI/Odeon tinha sete gravações para colocar bandolim. Pensei, vou ter de estudar. No meio de Dino, Paulo Moura, Geraldo Vespar. Mas a direção do estudo de música partiu do piano. Por exemplo, independência de dedos, escala, a pedagogia clássica, postura, encaminhamento, disciplina, tirei tudo do piano. Estudei métodos de violino, o resto veio de mim.</p>
<p><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200784.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-959" title="P1200784" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200784-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><strong>EM – Como foi o teu primeiro encontro com o Jacob do Bandolim?</strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN –</strong><strong> </strong>O cavaquinista Souza, já falecido, que me levou. Chegamos lá as dez da manhã e ele estava de short com uma toalha no pescoço. Levei um cavaquinho e o Souza levou um bandolim igual ao dele. Fui muito bem recebido a ponto de sair de lá às seis da tarde. E ele com dois gravadores com rolo de fita, ele gravava tudo. Tenho a honra de dizer que A Santa Morena, que vou tocar hoje, fiz a terça. Ele disse que aquela ia pro arquivo dele. Peguei umas coisas dele. Peguei no violão e pedi pra ele tocar um choro, o Sempre Teu e começamos a tocar. E eu no violão fazendo uma porção de notas. Ele parou no meio e disse assim: “Quem é o solista, eu ou você?”. (risos). Ele falou isso pra mim de bom humor. Eu era um garoto, ele não ia me distratar. Eu entendi e continuei tocando. Agora, isso também leva a crer que o Jacob não seria um músico de câmara, não gostava de contraponto! Eu estava fazendo contraponto.</p>
<p><strong>EM – Já que estamos falando em Jacob. Como ele influenciou sua música?</strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN</strong><strong> </strong><strong>–</strong> Outra coisa que ele falou que eu tenho que contar conheci lá o Zé do Patrocínio, autor do Pardal Embriagado. Chegou o Velho, tocavas bem o bandolim, chegou o Evandro. Aí o Jacob disse assim sobre o Evandro: “Pô lá vem esse cara. Ele toca minhas músicas tudo errado”. Quando nós chegamos na casa dele, ele pediu licença para levar um amigo na estação e eu fiquei lá tocando e gravando. Quando chegou perguntou: “Quem é que está tocando, é o Jacob”. Fiquei maravilhado. A segunda vez que estive com ele foi em frente ao fórum, que ele trabalhava lá, estava eu e o meu irmão, e ele me convidou para ir à sua casa de novo. Na época era novo, uns 17 anos, e não me ligava muito nisso. Depois vi ao vivo e na verdade não me chamou muito a atenção. Nem a mim nem ao meu irmão, a gente conhecia de disco, mas ao vivo estranhamos aquele som. Gravação é um som preparado, um som ótimo, ao vivo é mais cru, mas ele foi o precursor da escola brasileira do bandolim. Na minha aula de bacharelado digo isso. O chorão pode tocar o que ele gosta, mas ele tem de ouvir tudo, ele é músico acima de tudo. Me sinto na obrigação de dizer certas coisas. Hoje você tem músicos que tocam choro que arranjam, escrevem, como Jayme Vignoli, Marcílio (Lopes), Josimar Carneiro, professor de universidade; Luiz Otávio Braga, professor de universidade, chorões. Esses músicos têm um lado cultural extenso. Aproveito e sou muito feliz de conviver com eles e aprender. É o caso de Radamés Gnattali que depois eu conto.<br />
<a href="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200868.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-958" title="P1200868" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200868-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><br />
<strong>EM – Vamos a outra ponta da história. Como vê a música do Hamilton de Holanda? </strong></p>
<p><strong>Ela representa a evolução do choro, se é que podemos dizer isso, ou a volta por cima desse gênero que possui mais de 100 anos?</strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN –</strong> Desde que eu me entendo o choro está aparecendo. O choro agora está em evidência, mas isso não existe. Ele sempre está em um patamar. É que vocês não prestam atenção. O chorão sempre se mantém ali. É obvio que antigamente se tocava mais choro, na época do Pixinguinha, é lógico que não tinha essa poluição sonora de música americana. Então, se tocava seresta, se tocava mais música brasileira em geral. A televisão que acabou com isso. Mas qual é a pergunta, mesmo? Ahh, o Hamilton de Holanda talvez seja o maior músico brasileiro. E como bandolinista não se fala. Só que ele, e isso é uma coisa que eu preciso ressaltar, toca um bandolim de dez cordas, não é um bandolim comum, mas também tocaria um de oito de uma maneira fenomenal. Ele me chama de professor e eu fico muito orgulhoso com isso. Dei uma aula em Brasília e ele se escreveu no curso e dei umas dicas a ele. Era muito novo, mas já tocando muito. Depois gravamos um disco e ele faz umas coisas que não é qualquer um que faz. Ele é gênio, o Hamilton é gênio. E outra coisa, ele não toca jazz, toca música contemporânea. Ele não toca choro, tem aquele conjunto dele, o violonista dele e o gaitista são jazzistas, mas eles seguem a linha do Hamilton, uma harmonia dissonante e contemporânea. E muito chorão não gosta daquele estilo, porque não percebe a profundidade. Mas é um músico com toda amplitude.</p>
<p><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200964.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-973" title="P1200964" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200964-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><strong>EM – Você também tocou com o Egberto Gismonti. Fale um pouco sobre esse encontro.</strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN –</strong> É um músico que eu sempre admirei, fabuloso. E ele era contratado da Odeon na mesma época que eu. Certa vez ele foi convidado a fazer a trilha sonora de uma peça em Portugal, aí ele colocou uma valsa do avô. Ele pediu um guitarrista pra tocar, mas o guitarrista não conseguia tocar porque aquela música era com guitarra portuguesa e não dava. E o Mario Jorge que era o luthier dele sugeriu o meu nome. Um dia o telefone tocou em casa e era o Egberto Gismonti me convidando. Fui à casa dele e disse que ia pegar a partitura e ver qual tom seria o melhor para o bandolim e que ligava pra ele. O Sol menor era o melhor e ele fez os arranjos. Gravei no estúdio da casa dele, tinha um ventilador fazendo um barulhão e eu lá afinando e ele olhando e devia estar pensando: “Isso não vai dar nada”. Entrei em uma salinha com o barulho do ventilador e perguntei: “Egberto, isso aí vai ficar ligado?” Ele respondeu: “Isso eu tiro depois, na mixagem”. Ele colocou o playback e eu toquei. E ele ficou com os olhos marejados. Aí eu falei pra gente começar a gravar e ele disse pra eu não mexer em nada. Eu falei que tinha mordido uma nota e ele: “Depois eu endireito”. Aí ele me convidou para o Heineken Concerts, para tocar na mesma noite do John McLaughlin. Fizemos em São Paulo e Rio de janeiro, está no Youtube. Na platéia estava o Gilberto Gil o Caetano e tal. Peguei um autógrafo do John McLaughlin muito bonito no disco que ele me deu, falando das minhas qualidades como músico. Depois fiquei a tarde inteira tocando com ele no hotel. Tocamos bossa nova e choro e ele não saia do lugar. Mas tem uma musicalidade incrível.</p>
<p><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200611.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-974" title="P1200611" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200611-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><strong>EM – Você atuou como professor no Brasil e fora. Em Curitiba há uma Escola de Música Popular Brasileira, que parece que foi idealizada por você. Conta essa história. Como são essas aulas? </strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN –</strong> A Escola de Música Popular de Curitiba começou quando eu estava em uma apresentação da Camerata (Carioca) e estava almoçando com o prefeito da época, o Jaime Lerner. Aquilo bateu na cabeça dele. A mulher dele me disse que ele só pensava naquilo. Ele me pagou umas passagens para eu ir a Curitiba, me levava no Solar do Barão pra ver o lugar da escola. De repente o negócio ficou um branco, sem eu saber o Hermínio (Bello de Carvalho) fez um projeto tipo Berklee (College of Music, nos EUA)), muito caro. O Jaime achou inviável. E eu não sei porque houve uma divergência e eles deixaram de se falar. O Hermínio, em represália a isso escreveu um livro dizendo que a ideia foi minha e que Aquela escola deveria se chamar Aramis Millarch, um pesquisador de Curitiba. Hoje é uma coisa de primeiro mundo, mas estão botando jazz, estão deturpando um pouco. Antigamente quem dirigia aquilo ali eram pessoas ligadas ao choro e à música popular.</p>
<p><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200410.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-975" title="P1200410" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200410-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><strong>EM – É claro que um músico com sua vivência há muito momentos memoráveis, mas eu destaquei dois e gostaria que você falasse sobre eles que é pra gente resgatar e eternizar essas história: O primeiro quando foi levado pela filha de Donga, para gravar no LP &#8220;A música de Donga&#8221;, juntamente com Elizeth Cardoso, Altamiro Carrilho, Abel Ferreira, Dino, Meira, Canhoto, Marçal, Jorginho do Pandeiro, Gisa Nogueira, Elizeu Félix, Luiz Paulo da Silva, Leci Brandão, Almirante e Paulo Tapajós, além do próprio Donga. E o segundo foi o lançamento do teu primeiro disco, Chorando Pelos Dedos, no Sovaco de Cobra. Sérgio Cabral escreveu que foi uma festa antológica.</strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN –</strong> Quem foi convidado para colocar o bandolim nesse disco foi o Déo Rian, mas ele não foi. Eu não era profissional, mas a Lígia Santos conhecia minha cunhada e sabia que eu existia, falou comigo. Então escolhi o repertório e quem produziu foi o Pelão. Aquele disco foi a minha primeira entrada em estúdio. Me vi de repente no meio desse pessoal que você falou aí. Meu deus, foi bonita a participação. Esse disco tem um som lindo, nesse bandolim que está aí hoje. A Elizeth (Cardoso) chorou. Foi gravado no estúdio da Copacabana, na Cinelândia, com todo mundo junto. Gravamos direto, não precisamos emendar nada, foi no primeiro take. A Elizeth fez playback depois. Eu não era conhecido na época, depois gravei e viajei com ela. E outra coisa, peguei o Donga vivo. Na época da gravação estive na casa dele, conversava. Quando a gente estava terminado o disco o Donga faleceu. Ele não chegou a ouvir.<br />
Já o lançamento do meu disco foi em 1976, no Sovaco de Cobra, um dia de calor incrível no Rio de Janeiro. Pra você ter uma ideia, estavam lá o Sérgio Cabral, Clara Nunes, Beth Carvalho, Eliseth Cardoso, João Nogueira, Paulo Moura. Foi uma coisa antológica e a partir daí o Sovaco de Cobra virou ponto turístico do Rio de Janeiro. Virou o nosso ponto de encontro porque é o lugar onde eu moro. E o Seresterio que deu o nome ao barzinho de duas portas, Zé da Velha ia pra lá com o Silvério Pontes, meu irmão, Joyr Nascimento, que era músico. Era um moleque, morreu com câncer. Tem uma história dele, posso contar uma história do meu irmão?</p>
<p><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200958.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-976" title="P1200958" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200958-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><strong>EM – Claro.</strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN –</strong><strong> </strong>Ele foi em uma seresta no morro e uma hora ele quis ir ao banheiro, aí tinha uma cortina e ele entrou lá. Aí sumiu. Demos por falta dele e ele estava lá embaixo todo sujo. Não havia banheiro, era uma rampa onde as pessoas faziam as necessidades. Ele escorregou ali e foi parar lá embaixo. Ele pegou um taxi pra ir embora e o motorista falou pra ele e o Zé que foi com ele: “ Pô, vocês não estão sentindo um cheiro de merda, não”. Ele dizia pro Zé da Velha: “Pode falar que sou eu”. Ele gostava de dar um tapa no beiço, ele e o Zé da Velha que bebe até hoje. Ele esteve comigo lá perto de casa há pouco tempo, ele e o Silvério Pontes, armamos um negócio lindo.</p>
<p><strong>EM – Conta a história do Sovaco de Cobra.</strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN –</strong> O Sovaco de Cobra era um barzinho de um português que abria aos domingos, mas ele queria fechar ao meio dia, ele não visava lucro. A gente começava a tocar às 10 da manhã e saia de lá às duas da tarde. Ele podia ganhar um dinheirão e ficava enchendo o saco pra fechar. Têm várias reportagens sobre o Sovaco de Cobra. Tenho uma foto onde estão o Mozart de Araújo, o Dino (7 Cordas), o Jorginho. O bar ficou famoso por causa do Adelzon Alves, ele trabalhou muito tempo em rádio, foi produtor, marido da Clara Nunes.</p>
<p>Ele que fez a Clara Nunes com aquela roupa de Iemanjá, aquela coisa. Ele tinha um programa na Rádio Globo chamado Amigo da Madrugada, hoje está na Rádio Nacional. Ele era produtor do  João Nogueira na época e o João me levou pra gravar duas faixas em seu disco. Aí ele colocou na capa que o disco estava lançando o bandolinista Joel Nascimento. Aí ele  falava no programa: “ Alô Joel do bandolim, alô Sovaco de Cobra”. Infelizmente um cara que era aposentado da polícia foi lá e registrou o nome que era um negócio folclórico. Armou um outro bar na esquina, em Vila Isabel, ele começou a cobrar e ninguém dava bola. Acabou com o Sovaco de Cobra. Eu falei pra ele que não ia apoiar, ele começou a botar jogo, mulheres, e aí a vizinhança&#8230; um picareta.</p>
<div id="attachment_957" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200809.jpg"><img class="size-medium wp-image-957" title="P1200809" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/P1200809-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Os Meninos Chorões do CER-SV, afilhados do Clube do Choro de Santos, abriram a apresentação do bandolinista</p></div>
<p><strong>EM – Aparece no filme Brasileirinho. </strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN –</strong><strong> </strong>Tu viu o filme brasileirinho!? Eu falo na porta do Sovaco de Cobra e fico até emocionado. Eu toco um Chopin ao piano, você sabe que por causa daquele prelúdio em Mi menor de Chopin veio uma moça da Polônia que veio ao Brasil me procurar. Ela está defendendo a tese sobre a influência Chopiniana no Brasil. Ela quer me levar pra Polônia, escreve pra mim por causa daquele filme.</p>
<p><strong>EM – Você ainda toca piano?</strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN –</strong> Eu perdi muita técnica, mas ainda toco um pouco. Eu estudava doze horas de piano por dia, cara. Minha mãe levava o leite no piano e eu lá martelando. Era tarado.</p>
<p><strong>EM – Como foi a sua parceria com o João Nogueira? Ele foi produtor de alguns de seus discos. </strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN –</strong> Eu não era profissional. Estava em Paquetá e meu irmão sempre me levava nessas bocadas, Radamés, João Nogueira, arrumou aquele bandolim. Era mais velho que eu dois anos. O João Nogueira cantando Braço de Boneca, de Paulo César Pinheiro, meu irmão no violão e eu fiz um floreio no bandolim e o João ficou encantado e disse: “Vou começar a gravar essa semana e você vai gravar comigo”. Ele era o dono do disco e passou por cima do Adelzon. Aí toca o telefone da vizinha os caras da Odeon marcando o estúdio às nove horas da noite. Cheguei lá estava Dino, Geraldo Vespar, Paulo Moura, digo: “Meu deus, onde estou nesse meio”. A partir daí na Odeon já tinha sete faixas de bandolim pra botar e terminar as gravações. Porque o Zé Menezes dizia que não era bandolinista, ficou esnobando, naquela época só tinha ele. Mas Zé Menezes toca muito violão, cavaquinho. Comecei a ganhar por dia o que ganhava por mês. Como solista ganhava mais 20% e naquela época as gravadoras gastavam dinheiro. Meu estilo virou modismo porque comecei a gravar com sintetizador, piano elétrico em uníssono. Tem muita gravação que você não percebe. Tenho três novelas de Janete Clair com músicas arranjadas por Vespar.<br />
Então, passei a tocar com o João Nogueira. O Violonista dele era o Guinga, fiz uma amizade grande com ele e ele fez a Valsa de Realejo pra mim. Gravei no meu primeiro disco. Ele não saía da Penha que o pai dele é de lá. O Cláudio Zoli que é cantor também, violão. E os ritmistas. Como o João era contratado da Odeon, propôs  a gravação do meu primeiro disco lá. A Odeon não quis aceitar, por que havia gravado um disco do Déo Rian que não havia dado certo. O João disse que faríamos uma coisa diferente. Gravamos Baden Powell, Chico Buarque, Tom Jobim e colocamos uma orquestra com arranjo de Geraldo Vespar. É uma perfeição em afinação e acabamento que Vespar é muito bom. Até hoje ganho dinheiro de direitos autorais na Alemanha, não é muito mais ganho. Já vendeu mais de oitenta mil discos. Não é essencialmente um disco de choro, mas é um disco de música instrumental.  O João Nogueira fez uma música pra mim que é Chorando Pelos Dedos que está no disco, muito bonita. Pô, foi ele que me lançou.</p>
<p><strong>EM – Você tem contato com o Diogo Nogueira?</strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN –</strong> Um dia eu estava em um restaurante na barra e minha filha me apontou o Diogo Nogueira. Eu conheci o Diogo, mas depois que ele começou a cantar ficou pra lá eu eu pra cá. Fui lá falar com ele. Aí bati nas costas dele e ele ficou espantado. Eu disse: “Fui um grande amigo de seu pai”. Ele fez aquela cara e perguntou qual era o meu nome. Quando eu falei ele levantou na hora e me agarrou quase chorando: “Pô, meu pai te adorava”. Ele gravou um disco e chamou o Hamilton (de Holanda) e eu como participações especiais. Muita coisa da carreira do pai dele tinha ligação comigo. Eu e o Guinga fazíamos arranjos. Há uma foto antológica com o João Nogueira, o Cartola, eu e o Guinga cabeludo. O jornalista não pôs o nome do Guinga na legenda porque não o conheceu por causa do cabelo. (riso).</p>
<p><strong>EM – Você tocou com o Paco de Lucia ou não? Conta direito essa história? </strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN –</strong> Eu não cheguei a tocar com o Paco de Lucia. Nós estivemos juntos, almoçamos juntos, bebemos cerveja. Ele tocou no mesmo festival que eu toquei, na Córsega. Foi ali que Rafael Rabello que estava comigo se transformou em Paco de Lucia. Ele se vestia com roupas espanholas, o cabelo era igual ao do Paco. Ele até gravou um disco de Tom Jobim “espanholado”. Ele acompanhava o Nélson Gonçalves espanholado. Depois o Rafael fez amizade com ele. Mas eu não toquei com ele, a imprensa que inventa essas coisas. Com o John McLaughlin toquei extraoficialmente, no aparatamento do hotel em São Paulo. O Egberto não colocou a gente pra tocar juntos. Tocamos na mesma apresentação do Egberto, mas não juntos. Muita gente confunde. Toquei com o Rafael Rabello na Rádio França pra toda Europa, o cara me obrigou a tocar piano. Tive de estudar um pouco, mas disse pra ele cortar quando eu fizer um glissando e ele começava a falar. (risos)</p>
<p><strong>EM – Como surgiu a ideia de gravar um disco com o Hamilton de Holanda, o De Bandolim a Bandolim? Como foi a escolha do repertório?</strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN –</strong> Existe uma admiração mútua. Acho que foi o Hamilton que deu a ideia. Ele diz que a ideia foi minha. (risos) O nome do disco quem deu fui eu. Não foi escolhido o repertório, só as músicas clássicas. O Vivaldi, o Bach, a coisa mais linda do disco, ele toca perfeito. É a única música com três instrumentos. O Hamilton toca o violão baixo. A gente foi tocando. Gravamos lá na barra. O título foi inspirado na música do Jacob, de Coração a Coração, muito bonita.</p>
<p><strong>EM – Mas você não disse que não gosta de misturar popular com clássico?</strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN –</strong><strong> </strong>Espera aí. Eu não gosto de deturpar a música. Nós gravamos o original. O que eu não gosto é você pegar o Bach e botar no choro. Eu não faço isso porque toquei música clássica e é uma obra de arte que não deve ser mexida. Vai botar o que ali, porra, vai fazer arranjo? Desculpa a expressão (risos). Vou explicar tecnicamente pra você o que muita gente não sabe. Chorão não deve saber (risos). Beethoven escreveu pra bandolim, (Igor) Stravinsky escreveu pra bandolim, Vivaldi, Mozart, bandolim não é brasileiro. Bom, então Beethovem escreveu uma sonatina para piano e bandolim. Então eu peguei a parte do piano e o Hamilton fez o bandolim de dez cordas integral. Não pé arranjo, mudou só o instrumento. E o bandolim é o original.  A única coisa que mudou foi o timbre que em vez de piano é um bandolim de dez cordas que dá extensão pra tocar. Depois gravamos Vivaldi que aquela parte já é escrita pra bandolim, o primeiro movimento. E gravamos uma ária de Bach que eu ouço muito com o (Vladimir) Horowitz. É Linda. Aí comecei a pesquisar e vi que dava pra nós dois tocarmos integralmente, só faltava uma voz, que seria um baixo. Teve um jornalista que fez um boa crítica e no final diz que sentia falta de um acompanhamento (risos). Pô, como é que o cara pode dizer um negócio desse, será ele não viu que estava com acompanhamento? Ele ouviu falar que tinha dois bandolins e pensou em regional. Que ignorância.</p>
<p><strong>EM –  Em vez de informar desinforma.</strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN </strong><strong>-</strong> Por exemplo, eu toco Chega de Saudade com uma porção de notas diferentes. Tenho partitura com a música certa. Os cantores modificam muito. Tenho uma valsa que gravei chamada Valsa de Realejo, do Guinga, foi a primeira música gravada. Ele não saia lá de casa e fez essa valsa pra mim. Ele me deu a partitura e disse: “Essa eu fiz para o bandolim do Joel”. A Clara Nunes gravou e omitiu uma porção de detalhes e notas. É claro, a música instrumental, o cantor não percebe o dó sustenido, ele não dá, ele dá outra nota. Ele corta no meio da palavra. Aconteceu uma confusão uma vez com duas professoras. Uma era professora de música e de canto e a outra era só de canto. A professora de música disse ao aluno que estava errado o que ele estava cantando a de canto ficou na bronca, porque ela aprendeu como a Clara Nunes gravou. Voltando a Chega de Saudade, o Tom Jobim aceitou por que fez sucesso. Agora a música é cantada diferente da composição. Foi como a Rosa, a música do Pixinguinha que tem três partes. O cara que botou a letra omitiu algumas notas da terceira parte colocadas na melodia por Pixinguinha e são importantes e bonitas. O letrista tornou a música com a letra muito mais simples e tirou a arte da composição.  Funcionou porque a música é bonita: “Tu és divina e graciosa, estátua majestosa&#8230; pá, pá, pó, pó, pó, pó ”. Olha quanta nota tem aí.</p>
<p><strong>EM – Qual é sua diferença com o José Ramos Tinhorão?</strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN –</strong><strong> </strong>Eu não tenho bronca do Tinhorão. O tinhorão me botou na mídia. No Jornal do Brasil, o cara escreveu meia página sobre mim, mesmo falando mal estava divulgando. Posso contar a história?</p>
<p><strong>EM – Pode. (risos)</strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN –</strong> É o seguinte, fui tocar com o Arthur Moreira Lima e o Rafael Rabello na sala Cecília Meireles. Vários jornalistas foram convidados e o Tinhorão estava lá. Acabou a apresentação e nós fomos jantar, inclusive o Tinhorão. Ele me chamou de canto e falou que enquanto eu não tocasse choro ele ia falar mal de mim. Eu agradeci pela divulgação e ele ficou perplexo. Eu não sou de tratar ninguém mal. Tenho a fama de ser bonzinho. Tínhamos um amigo em comum o Dr. Valter que disse que o Tinhorão estava entendendo grego. Aí eu falei pra ele: “Pô Tinhorão, diante do teu conceito tu devia estudar guarani”. Disse: “Sou acima de tudo um  músico &#8230; sou obrigado a tocar tudo”. Muita gente não percebe, mas 95% dos discos do Jacob têm baixo acústico.  O Tinhorão não admite violino no samba. Disse a ele que nem caixa de fósforo é brasileira como você pode questionar sobre instrumentos brasileiros. Que coisa. O pandeiro é árabe. Não tem nada brasileiro.<br />
Talvez ele escreva muita coisa por ingenuidade e mesmo falta de conhecimento. Reconheço como um ótimo escritor, pesquisador, um cara honesto, discordo dele em algumas coisas. Não vou dizer que é uma falta de dignidade, por que não acho que seja indigno, mas acho uma falta de consideração com o Tom Jobim ele colocar em um programa de televisão o Prelúdio em Mi  Menor de Chopin e depois colocar Insensatez e dizer que é plágio. Ele não entende de música, cara! O Tom se inspirava muito em Villa Lobos, Chopin, muito Bach, mas não era plágio. O cara tem de saber que a harmonia não é igual, a melodia não é igual. Insinua de longe, mas não é plágio. O Tom nunca reclamou sobre isso e nem tinha de questionar. Vai brigar com cara que não entende. Ele disse algumas coisas sobre mim, mas como assim? Ele não estava lá pra ver. Eu não fiz nada assim. Eu fiz um eco no disco e ele achou que era efeito, mas eu fazia no bandolim. Tem muita coisa que eu faço no bandolim que está escrito. Pra estudar. Não é efeito.</p>
<p><strong>EM – E a Camerata Carioca?</strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong></strong><strong><span style="color: #000000;">JN –</span> </strong>Comecei a amizade com Radamés Gnatalli em 1973 quando disse a ele que queria tocar a Suíte Retratos, composta por ele e dedicada a Jacob. Ela havia sido escrita em 1964 e estava esquecida. Uma música com orquestra e conjunto de choro. Eu que sempre gostei de orquestra e chorão não gostava dessa música, porque tinha cordas, radicalismo danado. Liguei pro Radamés e disse que era um bandolinista que gostaria de fazer a suíte e tal. Ele disse que eu podia pegar a grade, que é a partitura geral e a irmã dele desmembrou e deu a parte do solo pra mim. Ninguém tinha. Jacob tinha, mas levou pra sepultura, porque o Déo Rian procurou e não achou. O Radamés ficou maravilhado, era 1973. Aí eu percebi que o piano fazia parte da orquestra e que daria em um conjunto de choro. Eu não era profissional e deixei passar. Em 1979, eu já profissional, tive a ideia de pedir a ele a transcrição da orquestra para um conjunto de choro. A orquestra o que é que é? Violino uma voz, viola, violoncelo e contra-baixo. Em conjunto de choro fica um negócio camerístico. Aí que eu falo, não contribuí com o choro, contribuí para a nova formação o conjunto de choro. Peguei Rafael Rabello, Maurício Carrilho, Luciana Rabello, Celso Silva e chamei eles pra tocar. Ensaiaram pra caramba. Posteriormente, o Hermínio Bello de Carvalho após a gente ter gravado no meu disco, na EMI/Odeon, inventou o aniversário de dez anos da morte do Jacob, ficou Tributo à Jacob do bandolim depois que eu havia gravado . Ele me usou na EMI/Odeon e eu não sabia o disco era meu, não existia o nome Camerata. A EMI/Odeon proibiu, eles me mandaram um telegrama. A gravadora gravou e era obrigada a lançar, só que houve uma divergência entre o gerente de contrato e a produção artística. Depois de uma semana fui lá com o Hermínio e o cara queria que eu assinasse um novo contrato, olha a sacanagem. Ficou aquela polêmica. Eu já estava sob contrato. Encontrei com o Sérgio Cabral na rua e disse que havia lido no Globo que eu estava com problema com a gravadora. Naquela época ele era produtor da Warner. Eu contei tudo e ele me convidou. Eu ingenuamente , por amor à música, amor ao Radamés, amor ao trabalho eu topei. O advogado da Clara Nunes me disse que se esperasse dois anos ia ganhar uma nota preta, porque a Odeon descumpriu o contrato comigo. Nenhum músico hoje em dia renunciaria a isso. Ninguém. Essa é a minha indignação e isso nenhum deles conta. Isso aí nós fizemos o disco sem ser Camerata, fizemos três shows, tenho os programas. Fizemos Curitiba, São Paulo, sala Guiomar Novaes, e fizemos em Brasília. Depois disso tudo, o Hermínio sugeriu o nome de Camerata Carioca, ele foi produtor do disco. Foi lá na Warner fez o texto do disco e eu não vi, ele não me mostrou nada. Ele botou o nome do disco de Radamés Gnatalli, Camerata Carioca e Joel Nascimento. Pô, o disco é meu. O disco tem uma capa e o selo é outro. Qualquer advogado processava. Hermínio Bello de Carvalho fez isso comigo. Tem jornais que ele diz que fundou a Camerata. Ele foi muito desonesto comigo. Pode divulgar isso.<strong><br />
</strong></p>
<p><strong>EM – Vocês romperam por causa disso?</strong></p>
<p><strong><br />
</strong><strong>JN –</strong> Não, a gente tem uma amizade porque eu fui omisso e ele se deu bem. Eu sempre fazendo o que ele pediu, mas hoje vejo que me prejudiquei. Não ganho direitos autorais, porque na rádio diz assim: “ Vamos ouvir Radamés Gnatalli e Camerata Carioca”. Tá assim no disco, ele só fala na Camerata, mas ela não existia, era uma mentira. Isso é uma indignidade dele. Ele me evita porque sabe que está errado.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Artistas da Casa de Choro de Toulouse no Guarany</title>
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		<pubDate>Thu, 12 May 2011 13:12:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Espetáculo Musical Femininas - um portrait de la femme brésilienne &#160; Fotografia: Luiz Fernando Costa Ortiz. ENTREVISTA – 1ª Parte &#160; Gente, nossa entrevistada é santista de nascimento,  pedagoga, cantora, bailarina e atriz. Formou-se em piano pelo Conservatório Heitor Villa Lobos e em ballet clássico pelo Conservatório Musical de Santos. Aperfeiçoou canto com Lucimar Padron, dança [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Espetáculo Musical Femininas - um portrait de la femme brésilienne</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<pre>Fotografia: Luiz Fernando Costa Ortiz.</pre>
<h2><span style="color: #ff0000;">ENTREVISTA – 1ª Parte</span></h2>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/225245_1647923971675_1644212547_1287705_985198_n.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-933" title="Elaine" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/225245_1647923971675_1644212547_1287705_985198_n.jpg" alt="" width="346" height="259" /></a>Gente, nossa entrevistada é santista de nascimento,  pedagoga, cantora, bailarina e atriz. Formou-se em piano pelo Conservatório Heitor Villa Lobos e em ballet clássico pelo Conservatório Musical de Santos.</em></p>
<p><em>Aperfeiçoou canto com Lucimar Padron, dança com Valderez Zani e Roseli Rodrigues e teatro com Neyde Veneziano.<span id="more-932"></span></em></p>
<p><em>Com vocês, <strong>ELAINE LOPES&#8230;!</strong></em></p>
<p><strong>MARCELLO:</strong><em> </em>Olá Elaine, tudo bem com você&#8230;? Prazer muito grande para nós do Clube do Choro de Santos tê-la aqui para um bate-papo sobre sua vida e sua carreira&#8230;! Quando a arte pintou na sua vida, em que momento você percebeu que era uma artista&#8230;!</p>
<p><strong>ELAINE:<em> </em>Olá Marcelo, o prazer é todo meu. Bom, desde pequena sempre estudei dança e piano. Profissionalizei-me como bailarina aos 18 anos e com o tempo a música e o teatro vieram  complementar o meu trabalho.</strong></p>
<p><strong>MARCELLO</strong><em>: </em>Você vive em Toulouse, no sul da França, desde 2004, onde realiza seu trabalho e mostra seu talento. Aliás, segundo a história, Toulouse é a cidade onde nasceu Charles Romuald Gardés, mais conhecido como Carlos Gardel&#8230;! Como é para uma santista viver na Europa&#8230;! É legal, você se adaptou com facilidade ou foi difícil&#8230;!</p>
<p><strong>ELAINE:<em> </em>Eu gosto muito de morar em Toulouse, é uma cidade universitária, cheia de jovens e com uma linda arquitetura.   Eu me adaptei com muita facilidade, adoro a língua francesa e aprendi com o tempo a aceitar as diferenças de cultura e mentalidade</strong>.</p>
<p><strong>MARCELLO</strong>: Além de tudo, você também divulga a cultura e as tradições brasileiras, certo&#8230;? Como é a receptividade do europeu, em especial do francês,  é boa, eles gostam dessa coisa da brasilidade, da brasileirice&#8230;?</p>
<p>ELAINE: Sim, eu trabalho com a cultura brasileira, ministrando aulas de danças e canto brasileiro e também através da música e de espetáculos como o &#8220;Femininas&#8221; que retrata a mulher brasileira. Procuro sempre além do repertório brasileiro, inserir em meus espetáculos textos de autores brasileiros, traduzidos para o francês. O público francês é muito receptivo, eles adoram tudo que vem da América Latina em Geral.</p>
<p><strong>MARCELLO</strong>: E agora voltando à terra natal como você se sente, dá aquele chamado &#8220;friozinho na barriga&#8221; ou você lida bem com isso e não há nenhum tipo de problema&#8230;!</p>
<p>ELAINE: É sempre um prazer retornar a Santos, rever os amigos e a família, mas desta vez será especial, pelo fato de poder dividir este espetáculo &#8220;Femininas&#8221;, concebido inicialmente para o público francês, com os Santistas.</p>
<p><strong>MARCELLO</strong>: Fale alguma coisa a respeito do grupo &#8220;COM AÇÚCAR, COM AFETO&#8221; que prioriza muito a obra de magníficos compositores brasileiros, dentre eles, Chico Buarque, Guinga, Caymmi e outros&#8230;!</p>
<p><em> </em></p>
<p>ELAINE: Com Açúcar, Com Afeto, é um projeto que desenvolvo com o músico franco-alemão Olivier Lob, onde interpretamos canções de grandes compositores brasileiros.Estamos atualmente trabalhando no projeto de um show em homenagem a Dorival Caymmi, o poeta do mar e Chico Buarque, o poeta da cidade.</p>
<p><strong>MARCELLO:</strong> Para finalizar, minha cara Elaine, e o Choro, você chegou a mostrar ou fazer algum trabalho a respeito&#8230;? Sabemos que existe o Clube do Choro em Paris&#8230;!</p>
<p>ELAINE: Sim, em Toulouse temos  a Casa de Choro de Toulouse, onde a coordenação musical e artística é do próprio Olivier Lob. O grupo se reúne uma vez por semana para estudar um repertório de choros, maxixes, polcas&#8230;Na segunda quinzena de maio Olivier está organizando um intercambio entre músicos franceses e a Escola Portátil no Rio de Janeiro.</p>
<p><strong>Em ocasiões especiais eu me junto ao grupo para interpretar algumas canções.</strong></p>
<p><strong>MARCELLO</strong>: Perfeito Elaine, muito obrigado pela atenção e pela amabilidade em nos conceder esta entrevista. Beijos pra você e seja sempre muito bem-vinda a terra&#8230;</p>
<h4>ELAINE:<em> </em>Obrigada vocês pela oportunidade</h4>
<p><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/222280_1647924891698_1644212547_1287708_4852355_n.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-937" title="Elaine e Olivier" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/222280_1647924891698_1644212547_1287708_4852355_n-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<h2><span style="color: #ff0000;">ENTREVISTA – 2ª Parte</span></h2>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/221998_1647923771670_1644212547_1287704_2696596_n.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-935" title="Olivier Lob" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/221998_1647923771670_1644212547_1287704_2696596_n-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Na primeira parte da entrevista Marcello Laranja conversou com Elaine. Na seqüência, tive o prazer de conversar com <strong>OLIVIER LOB&#8230;</strong></em></p>
<p><em><strong> </strong></em></p>
<p><em><strong> </strong></em></p>
<p><strong><em>Olivier Lob</em></strong><em> é um músico apaixonado pela música brasileira. Nascido na Alemanha, descobriu cedo o Jazz. Aos 23 anos no Conservatório de Amsterdam (Países Baixos) começou a estudar violão e pedagogia musical</em><em>.</em></p>
<p><em>Em 2006 lançou em Paris interessante projeto artístico que possibilita a troca de informações e a colaboração entre músicos profissionais e amadores, o qual ficou conhecido como: “Casa de Choro de Toulouse”.</em></p>
<p><em>No dia 7 de maio, esse talentoso violonista franco-alemão esteve em Santos apresentando-se no Teatro Guarany ao lado da cantora <strong>Elaine Lopes</strong> no show &#8220;Femininas&#8221;.</em></p>
<p><em>Presentes, representando o Clube do Choro de Santos se encontravam os diretores Luiz Pires e Luiz Fernando Costa Ortiz.</em></p>
<p><strong>Luiz Pires</strong>:   Olivier, muita gente na Europa ainda confunde a cultura brasileira com a dos demais países sul-americanos. Ainda é comum a noção de que o espanhol é a língua falada no Brasil e que a salsa é o gênero mais popular do país?</p>
<p><strong>Olivier &#8211; O trabalho que faço é exatamente esse, fazer com que os franceses descubram o verdadeiro Brasil através da música e demais manifestações artísticas.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Luiz Pires:</strong> Quando você começou a se envolver com a música brasileira?</p>
<p><strong>Olivier -Foi através de um show do João Bosco que vi em Miami e partir deste momento, me apaixonei por música brasileira e comecei a pesquisar e estudar vários estilos de música brasileira.</strong></p>
<p><strong>Luiz Pires</strong>: Em seu trabalho atual você utiliza instrumentos típicos dos gêneros “Choro” e “Samba”, como violão 7 cordas e cavaquinho&#8230; Quem e quais são suas referências tanto nestes estilos musicais, quanto nestes instrumentos?</p>
<p><strong>Olivier -Poderia falar de muitos como por exemplo: Dino , Raphael Rabello, Maurício Carrilho, Marcelo Gonçalves, Luis Otávio Braga entre muitos outros.</strong></p>
<p><strong>Luiz Pires</strong>: Na França existem conselhos reguladores da profissão de músico como a Ordem dos Músicos? Como são arrecadados os direitos autorais?</p>
<p><strong>Olivier &#8211; Na França os músicos recebem uma ajuda do Estado, quando podem provar que fizeram um certo número de datas durante o ano.E em relação aos direitos autorais, temos a SACEM.</strong></p>
<p><strong>Luiz Pires:</strong> O Dominic Miller, guitarrista do Sting e que trabalhou também com Phil Collins, estudou com o Turíbio Santos (importante violonista erudito nascido em São Luís do Maranhão, em 1943, e radicado no Rio de Janeiro; fundou a Orquestra Brasileira de Violões). É muito freqüente o intercâmbio entre instrumentistas estrangeiros e brasileiros?</p>
<p><strong>Olivier &#8211; Sim, o intercâmbio ainda é a melhor forma de se aprimorar, quando queremos avançar no nosso trabalho de músico.</strong></p>
<p><strong>Luiz Pires</strong>: Você é o Diretor Artístico da Casa de Choro de Toulouse né&#8230; ? Como funciona este projeto, e fale-nos também sobre o Clube do Choro de Paris? Existem outras associações que divulgam a música brasileira em Paris?</p>
<p><strong>Olivier &#8211; É um projeto aberto a todos os músicos, amadores e profissionais que são apaixonados por esse gênero de música, onde organizamos  rodas, ensaios, oficinas e apresentações. Além do Clube de Choro de Paris, por toda França, existem estruturas que divulgam o choro e a música brasileira em geral.</strong></p>
<p><strong>Luiz Pires</strong>: Você acredita que a cidade de Santos/SP tem potencial para acolher uma Mostra Internacional de Choro?</p>
<p><strong>Olivier &#8211; Claro que sim, e eu ficaria muito honrado em participar.</strong></p>
<p><em><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/225199_1647928491788_1644212547_1287718_7601512_n.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-939" title="Clube do Choro de Santos" src="http://clubedochoro.org.br/blog/wp-content/2011/05/225199_1647928491788_1644212547_1287718_7601512_n-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><strong><em>Presentes, representando o Clube do Choro de Santos se encontravam os diretores Luiz Pires e Luiz Fernando Costa Ortiz.</em></strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong><em><strong>Agradecimentos: Rosy Padron e Produtora Avanço.</strong></p>
<p></em></strong></em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Entrevista Hamilton de Holanda</title>
		<link>http://clubedochoro.org.br/blog/2011/02/15/entrevista-hamilton-de-holanda/</link>
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		<pubDate>Tue, 15 Feb 2011 12:01:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Eugênio Martins Júnior Fotos Luiz Fernando Costa Ortiz. Foi uma noite para recordar. Dois dias após Santos completar 465 anos em  26 de janeiro. A comemoração foi com boa música com Hamilton de Holanda, Daniel Santiago e André Vasconcelos.  O Teatro Municipal, palco de tantos eventos culturais importantes, estava há um tempo fechado para  [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">
<p class="SemEspaamento" style="text-align: justify;"><span style="line-height: 21px;"><br />
</span></p>
<p class="SemEspaamento" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%;"><strong>Por </strong>Eugênio Martins Júnior</span></p>
<p class="SemEspaamento" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%;"><span style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: normal;"><strong>Fotos</strong> Luiz Fernando Costa Ortiz.</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><em><span style="font-size: 14.0pt;">Foi uma noite para recordar. Dois dias após Santos completar 465 anos em  26 de janeiro. A comemoração foi com boa música com Hamilton de Holanda, Daniel Santiago e André Vasconcelos.  O Teatro Municipal, palco de tantos eventos culturais importantes, estava há um tempo fechado para  reformas de platéia e palco. Começou bem 2011.</span></em></p>
<p class="MsoNormal"><em><span style="font-size: 14.0pt;"><span id="more-853"></span><br />
</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 14.0pt;">A idéia de trazer Hamilton De Holanda surgiu quando assisti ao show do bandolinista e seu quinteto – Márcio Bahia (bateria), André Vasconcelos (baixo), Daniel Santiago (violão) e Gabriel Grossi (Harmônica) – no Rio das Ostras Jazz e Blues Festival, em 2007. </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 14.0pt;">Idas e vindas, as datas nunca batiam. Arriscar trazê-lo por conta própria nem pensar. Artista que não aparece na televisão os empresários santistas não querem nem saber em patrocinar. Fazer o quê?</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 14.0pt;"><br />
</span></em></p>
<table style="width: auto;">
<tbody>
<tr>
<td><a href="https://picasaweb.google.com/lh/photo/x9X5Z4J5WcKcSBYJljOkProahTSnfdUW8Hj3BLQoZRY?feat=embedwebsite"><img src="https://lh5.googleusercontent.com/_lDklrzuSf8M/TVppOak9jJI/AAAAAAAABIQ/er7rg0eRMd8/s400/P1100176.JPG" alt="" width="400" height="300" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td style="font-family: arial,sans-serif; font-size: 11px; text-align: right;"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 14.0pt;">Houve ainda, entre os moradores da cidade, aqueles que reclamaram junto à ouvidoria, porque a cidade optou em trazer o &#8220;desconhecido&#8221; Hamilton de Holanda em detrimento de um ou outro grupo da música Neo (ou New?) Sertaneja. Digo a essas pessoas: &#8220;Fica em casa assistindo o Big Brother enquanto a  caravana passa&#8221;. Cabe aqui o desabafo. </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 14.0pt;">Em setembro do ano passado encontrei com o Luiz Pires na Tarrafa Literária – outro evento realizado na raça pelo livreiro José Tahan – e disse a ele que gostaria de trazer o Hamilton de Holanda a Santos e queria uma parceria com o Clube do Choro. Luiz topou na hora. </span></em></p>
<table style="width: auto;">
<tbody>
<tr>
<td><a href="https://picasaweb.google.com/lh/photo/3hizueyeIxIpPBkTy4nPi7oahTSnfdUW8Hj3BLQoZRY?feat=embedwebsite"><img src="https://lh3.googleusercontent.com/_lDklrzuSf8M/TVppODTgLxI/AAAAAAAABIM/AAK4qE8_O64/s640/P1100403.JPG" alt="" width="640" height="480" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td style="font-family: arial,sans-serif; font-size: 11px; text-align: right;"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 14.0pt;">A oportunidade real surgiu em dezembro de 2010 e 28 de janeiro de 2011 o trio pisou no palco do Municipal. A parceria entre a Prefeitura Municipal de Santos e o Clube do Choro proporcionou um show gratuito e histórico. A produção do espetáculo foi do Mannish Blog e a ousadia de fazer diferente foi da equipe da Secretária de Cultura, que entende que arte, cultura e entretenimento andam de mãos dadas. Enquanto todas as cidades de Baixada Santista apostaram na mediocridade, Santos mostrou porque continua sendo o carro chefe da cultura na região.</span></em></p>
<table style="width: auto;">
<tbody>
<tr>
<td><a href="https://picasaweb.google.com/lh/photo/oiZUI43OhXDETlc4aMcCV7oahTSnfdUW8Hj3BLQoZRY?feat=embedwebsite"><img src="https://lh6.googleusercontent.com/_lDklrzuSf8M/TVpqlb120XI/AAAAAAAABIo/-9FAGTcmT4A/s640/P1100302.JPG" alt="" width="640" height="480" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td style="font-family: arial,sans-serif; font-size: 11px; text-align: right;"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 14.0pt;">É fácil pensar em superlativos depois de assistir a um show de Hamilton de Holanda: gênio e virtuose são alguns. Mas o resultado de tudo isso, além do talento, é claro, é trabalho duro. Nos dias seguintes ao show em Santos, Hamilton de Holanda já tinha compromisso. Lançamento do CD Gismonti Pascoal, em São Paulo. Uma semana depois já estava na Europa. </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 14.0pt;">Também está sempre gravando, só no último ano foram três CDs, os dois acima citados, mais Sinfonia Monumental. Três trabalhos distintos. Gismonti Pascoal, como o nome revela, é uma homenagem a dois grandes nomes da música instrumental brasileira. Esperança foi gravado ao vivo em umas das turnês pela Europa. Sinfonia Monumental é uma ode a Brasília, cidade que o adotou. Conta com a participação de seu famoso quinteto e a Orquestra Brasilianos e com a regência do maestro Gil Jardim. Uma obra em cinco movimentos.</span></em></p>
<table style="width: auto;">
<tbody>
<tr>
<td><a href="https://picasaweb.google.com/lh/photo/pcCdQCHYqT0k2PS1Epka_boahTSnfdUW8Hj3BLQoZRY?feat=embedwebsite"><img src="https://lh5.googleusercontent.com/_lDklrzuSf8M/TVpqlnEE1JI/AAAAAAAABIs/FqAaIEeRsg0/s640/P1100249.JPG" alt="" width="640" height="480" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td style="font-family: arial,sans-serif; font-size: 11px; text-align: right;"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p class="MsoBodyText">No show do dia 28, Hamilton que pisava em Santos pela primeira vez, diversificou. Tocou temas seus: Um Byte 10 Cordas, Caos e Harmonia (quinto movimento da Sinfonia Monumental), Pros Anjos e Pedra de Macumba. E temas dos outros, maravilhosas versões dos afro sambas de Baden Powel e Vinicius de Moraes, entre eles: “Canto de Iemanjá” e “Canto de Ossanha”;” Beatriz”, do Chico Buarque de Holanda e Edu Lobo e tantas outras belezas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 14.0pt;">A intenção era fazer essa entrevista na volta do Aeroporto de Cumbica. Oportunidade ideal, pegar o artista na van, com a paisagem da descida da  Serra do Mar ao fundo, como já havia feito com Rosa Passos. Mas a conversa enveredou por produção cultural e depois para política e aí&#8230; Então, após o show, entre um copo de chopp e outro, em um bar barulhento, Hamilton gentilmente concedeu essa entrevista exclusiva. </span></em></p>
<p class="SemEspaamento" style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp; mso-fareast-font-family: &amp;amp;amp; mso-font-kerning: 0pt; mso-fareast-language: PT-BR;">Por último, mas não menos importante, gostaria de registar a presença na platéia dos músicos e amigos José Luiz Barbosa, Milton Medusa, Matheus Martins, Canduta, Débora Gozzoli e Izzy Gordon, Nadja Soares e seus respectivos maridos e produtores Edu Silva e Ademir. Abraços a todos.</span></em></p>
<p class="SemEspaamento" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: inherit; mso-fareast-font-family: &amp;amp;amp; mso-font-kerning: 0pt; mso-fareast-language: PT-BR;"> </span></p>
<p class="Standard" style="text-align: justify;"><span style="font-family: &amp;amp;amp;"> </span></p>
<p class="Standard" style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">Eugênio Martins Jr – Começo com uma provocação porque sei que você não gosta de responder a essa pergunta. A música que você faz é choro, jazz ou samba? Ou até quando está com o quinteto chega a parecer heavy metal tamanha a potência. Onde entra nisso o teu lema: “O moderno é tradição”.</span></strong></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">Hamilton de Holanda –</span></strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;"> A música tem o poder de cura, de te levar pra outras épocas, te lembra pessoas. Na verdade eu uso da música pra isso, pra arrepiar o cabelo, pra emocionar. Confesso que não me preocupo em classificar se é rápida, se é lenta, se é rock. A verdade é que a energia que as melodias têm, elas passam no corpo, o corpo se mexe, as pessoas que vêem aquilo ficam com vontade de se balançar também. Mas tem as coisas mais lentas, enfim, naturalmente nasci no choro e mesmo que eu não queira a essência da minha música passa por aí. Acho que é tudo isso que você falou.</span><span style="font-family: &amp;amp;amp;"> </span><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">Uma coisa que é importante é que como eu cresci em Brasília, sou brasiliense de cidadania, é uma cidade que não tem tradição, imagina. A tradição da cidade é não ter tradição, então a facilidade que a gente tem de misturar as coisas é muito grande. Deixe que os especialistas classifiquem.</span></p>
<p class="Standard"><span style="font-family: &amp;amp;amp;"> </span></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">EM – Você passa mais tempo na Europa do que no Brasil, como tem sido o retorno desse investimento, essa evolução da tua música no estrangeiro?</span></strong></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">HH –</span></strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;"> Tenho sorte de ter ganhado um bandolim quando era pequenininho e ter podido levar essa música no bandolim pro mundo. E sou sempre muito bem recebido. E as pessoas têm a curiosidade em conhecer e os que conhecem “tietam” pra valer, sabe? E lotam os shows e existe uma simpatia pelo Brasil em primeiro lugar. Existe uma admiração pelas coisas sérias do Brasil. Porque tem essa coisa de que o Brasil é o país do futuro, o Brasil é aquilo, nós mesmos falamos mal do nosso país. O importante é que a gente veja o defeito para melhorar o país. Mas as coisas quando são feitas de maneira sérias, são admiradas, valorizadas. É sempre muito bom. A França é muito especial, a Holanda também. A Áustria, Itália, Finlândia.</span></p>
<p class="Standard"><span style="font-family: &amp;amp;amp;"> </span></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">EM – Há algum show em especial nesses lugares que você não esquece?</span></strong></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">HH –</span></strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;"> São tantos, cara. O primeiro que me vem à cabeça foi um show que fiz em Jerusalém, na torre de Davi, dentro da cidade velha. Pô, foi demais, foi sensacional.</span></p>
<p class="Standard"><span style="font-family: &amp;amp;amp;"> </span></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">EM – E no Brasil onde, na minha opinião, a música instrumental é considerada o patinho feio da música brasileira?</span></strong></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">HH –</span></strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;"> Não sei se é o patinho feio Eugênio. Acho que, de alguma maneira, isso já está ultrapassado porque a juventude está se interessando a tocar um instrumento, em aprender a tocar o bandolim. Aprender a tocar cavaquinho, violão. Isso aí garante o futuro dessa música que o Pixinguinha inventou de alguma maneira, que o Hermeto deu continuidade, que o Egberto, o Baden, o Jacob (do Bandolim), não é&#8230;? Eu de alguma maneira estou dando a minha contribuição.</span></p>
<p class="Standard"><span style="font-family: &amp;amp;amp;"> </span></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">EM – Vi um show seu com o quinteto no festival de Rio das Ostras, foi em 2007, e vocês botaram as pessoas que estavam assistindo de pé. Acho que tinha ali umas 10 mil pessoas. Nunca havia visto isso antes.Por isso que eu falo que com o quinteto a tua música é heavy metal. Você se lembra desse show?</span></strong></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">HH –</span></strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;"> Lembro claro, maravilhoso. Já tive a oportunidade de fazer alguns com esse tipo de pegada. Aberto assim, pra 5 mil, 10 mil pessoas. A gente tem de chegar com outro espírito, porque o som é mais alto, a coisa é mais dispersa também. Não aquele detalhe de um teatro, por exemplo. Tem de ser porrada. É uma coisa física também. O Som alto, o coração bate junto com o som. Tenho uma certa intimidade com esse tipo de show e gosto de fazer também. Aquele dia foi especial, foi muito bacana.<span style="mso-spacerun: yes;"> </span></span></p>
<p class="Standard"><span style="font-family: &amp;amp;amp;"> </span></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">EM – Você acaba de lançar um disco chamado Esperança, gravado ao vivo na Europa. E lança amanhã (29/11/2011) em São Paulo o Gismonti Pascoal, em parceria com o André Mehmari. Gostaria que você falasse sobre cada um deles.</span></strong></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">HH –</span></strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;"> O Esperança é especial pra mim, porque registrou um momento de turnê na Europa que eu visitei países muito diferentes: Finlândia, Áustria, França. E, apesar de ser o mesmo repertório, como o público é diferente, eu também me comporto diferente no palco. Toco de uma maneira diferente. Tanto que na hora de escolher nem fui para ver qual era o melhor take de cada lugar. Escolhi um de cada e pronto. Porque pega essa atmosfera dos aplausos. Cada lugar tem um negócio da duração dos aplausos, né? Quando gosta mais, quando gosta menos. E foi bacana. Mostra um pouco a coisa do trabalho. Do lavoro mesmo com a música. Não só a coisa romântica, é claro que tem, mas tem a coisa do dia a dia, de acordar cedo, ir pro aeroporto botar mala, chegar no hotel tomar um banho, ir pro teatro passar o som. É mostrar um pouco disso assim, que estou sozinho.</span></p>
<p class="Standard"><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">O Gismonti Pascoal é uma espécie de reverência, um pouco de criatividade e ousadia. Pegar a obra dos caras que já são tão consagrados e fazer&#8230; no começo a gente pegou: “Temos que tocar a coisa mais certinha, os temas, aquelas melodias e tal”. Depois a gente falou: Não, pô, a gente tem o que falar também. Então vamos dar nossa interpretação”. Foi ótimo, eles participaram também, o Hermeto fez uma loucura lá com a gente, o Egberto gravou um violão lindo. É um disco que tem um potencial comercial grande, porque os caras são muito conhecidos e a gente já tem uma história também. Estou esperando coisa boa aí.</span></p>
<p class="Standard"><span style="font-family: &amp;amp;amp;"> </span></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">EM – É o segundo disco que você grava com o André Mehmari. Gostaria que você falasse sobre isso, sobre essa parceria.</span></strong></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">HH –</span></strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;"> Bicho, o som de piano com bandolim é tão bonito, né? Acho que parte daí, a música toca a gente de maneira muito especial e a conversa com o André, é conversa não é dialogo. Parece que a gente toca mais com o ouvido do que com os dedos, com as mãos. É mais ouvir o que o outro tem a dizer e aí fala e fala. O outro fala também, enfim o resultado musical é sempre muito saudável.</span></p>
<p class="Standard"><span style="font-family: &amp;amp;amp;"> </span></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">EM – Vocês ganharam o cenário da música brasileira relativamente na mesma época, após um prêmio importante da música brasileira, o qual o André ficou em primeiro e você ficou em segundo lugar. Rola algum tipo de brincadeira com relação a isso?</span></strong></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">HH –</span></strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;"> Você acredita que a gente nunca falou disso? Ele não sacaneou até hoje e eu também não sacaneei, porque os jurados já o conheciam e não me conheciam. Acho que prêmio é sempre gostoso, por que, todo mundo quer ganhar, mas só um ganha. Mas o objetivo é que é o mais legal, todo mundo se encontrar e fazer música. Depois eu tive outras oportunidades de ganhar prêmio da música brasileira, prêmio na França. Mas aquele Prêmio Visa pra mim, na carreira, tem uma importância porque foi o ano do meu primeiro disco solo. Depois dele abriu assim a carreira. Saiu matéria importante em um grande jornal. Foi bacana.</span></p>
<p class="Standard"><span style="font-family: &amp;amp;amp;"> </span></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">EM – Você grava com freqüência e com muita facilidade, a ponto de gravar um CD com o gravador portátil em meio às turnês internacionais, o Íntimo. Você tem essa necessidade de registrar tudo?</span></strong></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">HH –</span></strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;"> Olha, posso até parecer pretensioso, mas a história está sendo feita agora. A gente não pode esquecer que o que a gente está fazendo, o que eu estou fazendo, no caso, está influenciando uma juventude grande, entendeu? Todos os luthiers do Brasil já fazem bandolim de dez cordas depois que eu inventei. Então não posso me fazer de humilde demais e esquecer que isso também virá referência um dia para outras pessoas. Então tem que gravar. Algumas coisas são boas, outras são mais ou menos, outras são melhores e no final das contas, o conjunto da obra vai ser legal.</span></p>
<p class="Standard"><span style="font-family: &amp;amp;amp;"> </span></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">EM – Quanto tempo os brasilianos estão juntos e como você reuniu esse time?</span></strong></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">HH –</span></strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;"> Somos amigos de infância, a moçada de Brasília. Tem foto do Gabriel com sete anos de idade com o André, na escola. Foi uma coisa que foi se fortalecendo no Rio, todos foram pro Rio e aí precisava tocar, precisava montar um grupo. A gente montou um quarteto e o Gabriel ia sempre como participação especial. Isso foi em 2003, já tem bastante tempo. O Bahia conheci antes, em Brasília também. Brasília é demais, né cara? É uma cidade onde é tudo perto. “Vamos tocar agora, vamos ensaiar!” Um estava na 905 norte, o outro estava na 103 sul, mas em cinco minutos um estava na casa do outro. Então, essa coisa ajudou muito para desenvolver o grupo, a gente tocar, composição.</span></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">EM – Uma artista que eu tive a oportunidade de trabalhar duas vezes e que mora em Brasília é a Rosa Passos. Além de uma grande artista é uma grande pessoa. Você a conhece pessoalmente?</span></strong></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">HH –</span></strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;"> Ela mora no prédio em frente ao do meu pai, 308 norte. Quando eu estava começando a fazer uns shows grandes lá em Brasília, a Rosinha meio que “amadrinhou” o negócio. Depois aconteceram algumas coisas, participamos de um concerto com a Orquestra Filarmônica lá em Brasília, já nos cruzamos na Europa, acho que uma vez na Espanha e uma na França, então é uma pessoa das minhas queridas.</span></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">EM – E é uma das artistas que leva a música brasileira lá pra fora e tem a maior moral.</span></strong></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">HH</span></strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;"> – Sim, a música dela é sofisticada e simples ao mesmo tempo e o time dela também é maravilhoso.</span></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">EM – Eu conheço a história, mas eu quero registrar aqui. Como foi o nascimento desse instrumento, o teu bandolim de dez cordas.</span></strong></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">HH –</span></strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;"> Via um violonista tocar, um pianista e morria de vontade de fazer com o bandolim a mesma coisa que eles faziam, que era fazer um concerto com um instrumento. Fazer melodia, fazer harmonia, fazer ritmo, tudo junto. Comecei a fazer em um bandolim normal, mas sentia a necessidade de um som um pouquinho mais grave, mais notas. Aí pedi pra um cara de Sabará, um amigo e um grande luthier, chamado Virgílio Lima, aí eu pedi pra ele que nunca tinha feito: “Bicho faz um bandolim de dez aí, mas usa aquelas madeiras mais baratas, porque se não ficar bom a gente joga pro alto”. (Risos). Sei lá, vai que dá errado. Mas ficou excelente o instrumento e virou meu instrumento oficial. Fez dez anos.</span></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">EM – Você só tem esse?</span></strong></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">HH –</span></strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;"> Não, tenho três. Por ele tenho um e tenho mais dois feitos pelo Tércio, um luthier lá do Rio. O mesmo que faz o cavaquinho do Henrique Cazes, o violão do Yamandú, do Marcelo Gonçalves, faz instrumento de um monte de gente. Muito bom ele, criterioso, detalhista. É um artista.</span></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">EM – Estamos em janeiro de 2011 o que a gente pode esperar do Hamilton de Holanda pra esse ano?</span></strong></p>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">HH –</span></strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;"> Olha, é fazer o que já tenho feito. Não tem muito mistério, não. Levar essa música bonita do nosso país, sabe, chegar ao palco e dizer esse é meu lugar. Fazer isso. E como ser humano tenho os meus desejos também. Fico pensando que será que um dia eu vou conseguir ver o mundo sem fome. As pessoas ter o que comer, escola, essas coisas básicas. Penso muito nisso. Não sou um autista. Não fico pensando só na minha música. Faz parte do meu futuro. Fazer minha parte através da música e ver um mundo mais justo.</span></p>
<table style="width: auto;">
<tbody>
<tr>
<td><a href="https://picasaweb.google.com/lh/photo/nDN1JDWvDomIASoMNnt0kLoahTSnfdUW8Hj3BLQoZRY?feat=embedwebsite"><img src="https://lh3.googleusercontent.com/_lDklrzuSf8M/TVppPVNP7oI/AAAAAAAABIc/41f933_DsNo/s400/P1100463.JPG" alt="" width="300" height="400" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td style="font-family: arial,sans-serif; font-size: 11px; text-align: right;"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">EM – Já que estamos falando nisso, uma vez eu perguntei ao Stanley Jordan o que ele achava da eleição do Barack Obama, nos Estados Unidos. Vou aproveitar a deixa e perguntar para você. O que achou e o que espera do governo da Dilma Roussef?</span></strong></p>
<table style="width: auto;">
<tbody>
<tr>
<td><a href="https://picasaweb.google.com/lh/photo/lv48BxCDIkYO8SQP_ZJyrLoahTSnfdUW8Hj3BLQoZRY?feat=embedwebsite"><img src="https://lh3.googleusercontent.com/_lDklrzuSf8M/TVppOzvp3_I/AAAAAAAABIY/_We49qmeS_g/s640/P1100302.JPG" alt="" width="640" height="480" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td style="font-family: arial,sans-serif; font-size: 11px; text-align: right;"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p class="Standard"><strong><span style="font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-size: 11.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;">HH –</span></strong><span style="font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-size: 11.0pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp;"> Desejo sorte a ela e espero realmente que seja um ótimo governo. Tem um significado forte uma mulher presidente. Estava vendo a foto, a faixa presidencial em uma pessoa de vestido. É diferente ver isso no Brasil. Espero que o significado se transforme em ações verdadeiramente importantes para o nosso país.<span style="mso-spacerun: yes;"> </span></span></p>
<table style="width: auto;">
<tbody>
<tr>
<td><a href="https://picasaweb.google.com/lh/photo/GtyDticdv0ptCSdNWFQjpLoahTSnfdUW8Hj3BLQoZRY?feat=embedwebsite"><img src="https://lh6.googleusercontent.com/_lDklrzuSf8M/TVppOtWVynI/AAAAAAAABIU/erj73kdOkVg/s640/P1100233.JPG" alt="" width="640" height="480" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td style="font-family: arial,sans-serif; font-size: 11px; text-align: right;"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
]]></content:encoded>
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		<title>Entrevista com Herlinha Gomes</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Apr 2010 20:42:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Por: J. Fagner Fotos: André Castro &#38; Matheus Pereira Como eu tinha prometido, quando falei do Dia Nacional do Choro, a nossa equipe foi cobrir o evento na Praça Mauá. A conselheira fiscal do Clube do Choro, Herlinha Gomes de Souza concedeu uma entrevista à nossa reportagem. Leia a seguir: Reportagem - Conversando com o [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<h3 style="margin-bottom: 0cm; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 9.0pt;"><span style="font-size: 12pt;">Por: <span style="font-weight: normal;">J. Fagner</span></span></h3>
<div><span style="font-size: 12pt;"><strong>Fotos:</strong> André Castro &amp; Matheus Pereira</span></div>
<h3 style="margin-bottom: 0cm; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 9.0pt;"><span style="font-size: 12pt;">Como eu tinha prometido, quando falei do </span><span style="color: #222222; font-size: 12pt; font-weight: normal;"><a href="http://suprassunto.blogspot.com/2010/04/dia-nacional-do-choro.html"><span style="color: #33aaff;">Dia Nacional do Choro</span></a>, a nossa equipe foi cobrir o evento na Praça Mauá.</span></h3>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">A<span><span style="color: black;"> conselheira fiscal do Clube do Choro, Herlinha Gomes de Souza</span> concedeu uma entrevista à nossa reportagem. Leia a seguir:</span></span><strong></strong></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><span><br />
</span></span></div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" href="http://3.bp.blogspot.com/_lDklrzuSf8M/S9NUBEjxgAI/AAAAAAAAAoU/yP_IorccH9g/s1600/Entrevista.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_lDklrzuSf8M/S9NUBEjxgAI/AAAAAAAAAoU/yP_IorccH9g/s400/Entrevista.jpg" border="0" alt="" width="400" height="192" /></a></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><span><br />
</span></span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><span><br />
</span></span></div>
<div class="MsoNormal"><strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Reportagem -</span></strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> Conversando com o Marcello Laranja, na quinta-feira, discutíamos a relação que é feita entre o chorinho e a terceira idade. O Marcelo apontou o fato, de que a boa música é direcionada a todos os que têm bom gosto, como a senhora enxerga essa relação?</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="MsoNormal"><span><strong><span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Herlinha</span></strong></span><strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> –</span></strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> A boa música serve para qualquer idade. É só observar o que foi o show do Edu Lobo, que foi uma coisa deslumbrante. A boa música não tem idade. O Clube do Choro está completando agora oito anos. Já trouxemos duas vezes o Altamiro Carreiro, já trouxemos o Elton Medeiros, já trouxemos o Sérgio Cabral, já trouxemos o Déo Rian, entendeu? E temos chance de trazer mais gente, o que nos falta é verba.</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="MsoNormal"><strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Reportagem – </span></strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">E dentro deste contexto, como é que a senhora encara eventos como este?</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="MsoNormal"><span><strong><span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Herlinha</span></strong></span><strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> – </span></strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Eu acho importantíssimo. Tinha que ter toda semana. Se não se dá chance para a boa música você vai ter que ouvir essas porcarias que lhe são impostas.</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="MsoNormal"><strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Reportagem –</span></strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> Além do Clube do Choro, existem outros grupos aqui de Santos que buscam o resgate da boa música?</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="MsoNormal"><span><strong><span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Herlinha</span></strong></span><strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> – </span></strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Eu sei que tem o Regional de Toledo que não é bem de Santos, é de Cubatão, que também é muito bom, sempre estão aqui com a gente&#8230; Nos outros aniversários&#8230; Foi uma pena porque nós tínhamos uma sede maravilhosa. Conseguimos a sede&#8230; Inauguramos em abril, em agosto o prédio foi vendido para uma empresa japonesa, então nós ficamos sem prédio agora. Então nós temos que aproveitar esses eventos para a apresentação de chorinho. Fora isso tem o Ki Frango, que é um restaurante que todo sábado tem chorinho.</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="MsoNormal"><strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Reportagem –</span></strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> A partir de que horas?</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="MsoNormal"><span><strong><span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Herlinha</span></strong></span><strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> -</span></strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> A Partir das 13h já tem chorinho, inclusive os [músicos] antigos serão homenageados hoje.</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><strong><br />
</strong></span></div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" href="http://1.bp.blogspot.com/_lDklrzuSf8M/S9NXlpqZSDI/AAAAAAAAAok/xO5WBXTCaPY/s1600/Marcello_laranja.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_lDklrzuSf8M/S9NXlpqZSDI/AAAAAAAAAok/xO5WBXTCaPY/s400/Marcello_laranja.jpg" border="0" alt="" width="400" height="233" /></a></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><strong><br />
</strong></span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><strong><br />
</strong></span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><strong>Reportagem –</strong> A senhora vê os barzinhos&#8230;</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="MsoNormal"><span><strong><span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Herlinha</span></strong></span><strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> –</span></strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> Como ponto de encontro.</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><strong>Reportagem –</strong> a senhora vê esses pontos de encontro com último refúgio para o choro?</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="MsoNormal"><span><strong><span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Herlinha</span></strong></span><strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> –</span></strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> É, porque a gente não tem ainda um lugar&#8230; Falta&#8230; Falta às empresas promoverem, dar [em] uma ajuda de custo. Porque para a gente conseguir uma verba da prefeitura é difícil, entendeu? Então, falta incentivo. Nossa idéia com o clube do choro é montar uma escola de choro, só para meninos carentes. Mas, e aí, como é que a gente vai fazer? Nós não temos sede, não temos ajuda dessas grandes empresas para comprar instrumentos, porque criança tem&#8230; Você vai ver, olha, tem esses meninos de São Vicente (apontando para o grupo de crianças que tocavam chorinho logo ao lado), tem uma menina flautista de onze anos, a Júlia, que toca uma flauta maravilhosa, entendeu? E tem um garotinho que nós encontramos por acaso, que toca cavaquinho, daqui a pouco ele está aí. Falta o que? Apoio, ele não tem recursos, então na hora que a gente tiver ajuda dessas empresas grandes, Libra Terminais, esses negócios&#8230; E outra, Santos&#8230; A gente vai ter um espaço&#8230; Nós temos que ter uma sede para termos uma escola.</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="MsoNormal"><strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Reportagem –</span></strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> Um dos problemas então seria a falta de apoio da prefeitura&#8230;</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="MsoNormal"><span><strong><span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Herlinha</span></strong></span><strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> –</span></strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> Não, não, a prefeitura&#8230; Até que o Carlos Pinto (secretário de cultura) dá muita força para o Clube do Choro, ele sempre está nos ajudando, mas o que está faltando é o que? São as grandes empresas darem incentivos para que a gente tenha um local (sic)&#8230; Porque nós precisamos ter um local para alugar&#8230; Só que, para você ter idéia, a nossa mensalidade é de dez reais, a maioria não paga. É brincadeira, né?</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="MsoNormal"><strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Reportagem –</span></strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> Então há um suporte da prefeitura, a secretaria de cultura&#8230;</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="MsoNormal"><span><strong><span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Herlinha</span></strong></span><strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> –</span></strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> (interrompendo) Sempre nos ajuda.</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="MsoNormal"><strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Reportagem –</span></strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> O problema então seria a falta de ajuda da iniciativa privada?</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" href="http://1.bp.blogspot.com/_lDklrzuSf8M/S9NWAn9ZCtI/AAAAAAAAAoc/n3wy7KWuaOc/s1600/Na_praca_maua.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_lDklrzuSf8M/S9NWAn9ZCtI/AAAAAAAAAoc/n3wy7KWuaOc/s400/Na_praca_maua.jpg" border="0" alt="" width="400" height="220" /></a></div>
<div class="MsoNormal"><span><strong><span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Herlinha</span></strong></span><strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> –</span></strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> Exato. A prefeitura nos dá uma verba, pequena, mas de qualquer maneira dá. Dá o espaço como deu o (Teatro) Guarany ontem, então&#8230; Nós não temos retorno financeiro porque lá no Guarany é tudo gratuito, mas de qualquer maneira nós temos espaço. Tem lá na Ponta da Praia, que é o <em><span style="color: black;">Tecondi (Celebra</span>)</em></span><em> </em> que promove né?&#8230; O show do Aquário (municipal), mas falta o que? Uma ajuda maior. Não é possível que uma empresa dessas não possa nos ajudar com 500 reais, juntando dez empresas nós poderíamos alugar um espaço aqui na cidade, como era a nossa sede. Nossa sede era linda, ficamos de abril até agosto&#8230; Depois de gastarmos um dinheirão fazendo obras e tudo.</div>
<div class="MsoNormal"><strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Reportagem –</span></strong><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"> Pra finalizar, qual a mensagem que a senhora deixa?</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span></div>
<div class="MsoNormal"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Eu gostaria que as pessoas não se esquecessem que o choro é praticamente o primeiro estilo de música tipicamente brasileira. E as pessoas não querem pagar cinco reais para ver uma apresentação de choro, mas pagam bem mais para ouvir certas coisas.</span><br />
<span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><br />
</span><br />
<span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Leia também:</span><br />
<span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"><span style="font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 22px; line-height: normal;"><a style="color: #33aaff; text-decoration: none;" href="http://suprassunto.blogspot.com/2010/04/renovacao-musical-marca-o-dia-municipal.html">Renovação musical marca o Dia Municipal do Choro.</a></span></span></div>
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		<title>Mais Entrevistas</title>
		<link>http://clubedochoro.org.br/blog/2010/02/28/mais-entrevistas/</link>
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		<pubDate>Sun, 28 Feb 2010 19:41:46 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Confira na área de entrevistas as novas publicadas:  Cláudia Matarazzo, Hugo Fernandes e com José Miguel Wisnik.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Confira na área de entrevistas as novas publicadas:  <span style="color: #ff6600;"><em><strong><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/?page_id=195" target="_blank">Cláudia Matarazzo</a></strong></em></span>, <span style="color: #333399;"><em><strong><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/?page_id=181" target="_blank">Hugo Fernandes</a></strong></em></span> e com <span style="color: #ff6600;"><em><strong><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/?page_id=177" target="_blank">José Miguel Wisnik</a>.</strong></em></span></p>
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		<title>Novas Entrevistas</title>
		<link>http://clubedochoro.org.br/blog/2010/02/17/novas-entrevistas/</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 02:02:16 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[novidades]]></category>
		<category><![CDATA[elton medeiros]]></category>
		<category><![CDATA[zé barbeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Aqui no nosso blog você poderá encontrar diversas entrevistas com nomes importantes do Choro. Temos um link direto para todas as entrevistas em um link na parte de cima de nossa página e aqui você encontra nossas novas entrevistas. Fique a vontade para sugerir um nome para ser entrevistado pelo Clube do Choro de Santos. [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Aqui no nosso blog você poderá encontrar diversas entrevistas com nomes importantes do Choro. Temos um link direto para todas as entrevistas em um link na parte de cima de nossa página e aqui você encontra nossas novas entrevistas.</p>
<p>Fique a vontade para sugerir um nome para ser entrevistado pelo Clube do Choro de Santos.</p>
<p>Últimas entrevistas:</p>
<p><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/?page_id=149" target="_blank"><span style="color: #000080;"><strong>• Elton Medeiros</strong></span></a></p>
<p><span style="color: #000080;"><strong><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/?page_id=156" target="_blank">• Zé Barbeiro</a><br />
</strong></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><strong><a href="http://clubedochoro.org.br/blog/?page_id=156" target="_blank"></a></strong></span></p>
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